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Desperto com Úrsula me chupando. Logo o pau dá sinal de vida. Ela senta por cima de mim, movimentos lentos, o pau bem fundo, gordo, estofado. Dou uma lambida num peito, depois noutro, volto no primeiro... Parece que somos um só, os corações têm a mesma batida, tum-tum-tum-tum. Com os olhos fechados, vejo as veias do braço, do pau, inchadas, o sangue passando grosso. Nenhum barulho, só a respiração, poderosa. É como se estivéssemos numa bolha, úmida de suor, de sangue, de esperma, de gozo gostoso.
O sono sem sonhos é o sono dos generais vitoriosos depois de uma batalha sangrenta. Sinto uma grande paz.
(...)
Olho dentro de seus olhos azuis inocentes e brilhantes e penso sobre a incomunicabilidade com as mulheres. O melhor a fazer, nesta altura da conversa, é foder. Resolvo comer o cuzinho. Ela diz que está doendo, mas nem ligo. Na verdade, fico com uma pontinha de remorso, mas afasto o pensamento rapidinho. É muito bom. Primeiro a gente separa aquelas bochechas maravilhosas, vê ele ali, piscando, nervoso. Está vivo, parece respirar. Henry Miller falava que os cus podem proporcionar um estudo dos mais interessantes. Talvez não se descubra o segredo do universo neles, mas é bem melhor que estudar o próprio umbigo. Falo pra ela que é melhor ler Henry Miller e Bukowsky do que aquela pentelhação do Lacan...
(...)
Quando vai embora, estou de pau duro, todo lambuzado. Ela está faceira, gozou duas, três vezes, fiquei bolinando ela com a língua, com os dedos, chupei os seios... Só não a penetrei, e fiquei pendurado no pincel. Estamos nos despedindo no corredor, porta aberta, e a louca se ajoelha, puxa meu calção pra baixo e começa a me chupar ali, defronte à porta do vizinho, um gay enrustido. A situação me deixa ainda mais tesudo. De repente o vizinho, o tal gay, abre a porta e dá de cara com a cena. Ficamos boquiabertos, um olhando a cara do outro. Quem resolve a situação é a Carolina, com senso de humor:
— Só solto este pau depois que você gozar, mesmo que junte uma multidão.
A bicha dá meia volta pra dentro do apartamento. Quase afogo Carolina de porra. Amo estas mulheres loucas.
O gay deve ter ficado espiando pelo olho mágico. Foda-se.
(...)
— Você já transou?
A pergunta do pai me pega de surpresa. Não quero admitir que ainda sou virgem. Tento desconversar, descrevo algumas situações mais íntimas, mas ele insiste:
— Isso é arreto. Estou falando de sexo. Comeu, ou não comeu?
— Não.
O pai faz uma longa exposição sobre sexo. Fala sobre preliminares, zonas erógenas, explica detalhadamente a função do clitóris e sua localização, orgasmo e frigidez feminina, métodos contraceptivos, pílula, aborto, tabelinha, sexo anal, masturbação... Responde com paciência a todas as minhas perguntas. Uma aula teórica que demora horas. No final da conversa, ele pergunta se eu quero que ele arranje uma Risoleta pra mim (referência a uma prostituta famosa interpretada por Dina Sfat). Digo que vou pensar.
— Pai, como é mesmo aquela história da Risoleta?
(...)
Escrevo como forma de mantermos o diálogo, já que pai e filho, normalmente, mantêm trocas de idéias a vida toda.
Você vai se deparar ou conviver com pessoas que acham que “o fim justifica os meios” e que, no fim, não passarão de assassinos, ladrões e acabarão na prisão (geralmente serão ateus, declarados ou não).
“Por seus frutos os conhecereis”. “Da abundância do que está no coração, a boca fala”. Não há como esconder a filosofia de vida e suas concepções. Todos têm seus traumas de infância, mas os que amadurecem libertando-se deles deixam de agir sob seus reflexos, passam a usar a razão e o bom senso.
Quando você tinha onze anos, pediu pra eu providenciar o seu batismo cristão. Embora satisfeito, neguei-me, por achar que você ainda não estava na idade pra aquela decisão. Agora, que você está na idade do protesto e não quer, acho que qualquer posicionamento seu não é definitivo, como não o era naquela ocasião. Creio que cada um de nós tem o direito de se reposicionar em cada fase da vida, pois até os robôs estão melhorando em decorrência da evolução, inteligência e experiência humanas.
Paulo perseguia os Cristãos até à morte deles, passando depois a ser o seu principal defensor e representante.
Um abraço,
Pai
(...)
— Guri, aproveita enquanto é moço. Trepada não dada é trepada perdida. Deixa de ser luxento. Brinca que ela é seu bebê e dá um banho na guria, passa um perfume, dá um drops pra ela chupar e manda bala. Depois, não perde o contato, deixa sempre a porta aberta pra outra ocasião. Um dia, você vai estar assim meio solitário, jururu, precisando de um agasalho feminino... quem sabe é ela quem vai te dar carinho.
Ah!... A sabedoria paterna.
(...)
Quarta. Úrsula aparece sem aviso pra trepada semanal. Me pega em flagrante com Helena. Por sorte estávamos no relaxamento pós-coito. Helena cumprimenta Úrsula, as duas fazendo tipo blasé, vai ao banheiro, despede-se. Aquele clima no ar. Depois, sozinhos, Úrsula primeiro chora. Depois, engole o choro e me come, quer conferir se está tudo no lugar. Debocha de Helena, me pergunta o que estou fazendo com a tia. Nem respondo, prefiro comer sua bunda, com raiva. Quero que doa. Está muito quente, o esforço é grande. Úrsula tem uma queda de pressão e desmaia. Mas antes gozo violentamente.