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Silêncio no bordel da Tia Chininha

Eliziário Goulart Rocha

2ª edição

A vida é um cabaré

Então você também anda com a sensação de que está vivendo no quarto dos fundos de um bordel? Sussurros, ranger de molas, risinhos de escárnio, odores ilícitos têm assombrado seu sono e perturbado sua imaginação? Bem-vindo ao clube dos estarrecidos – e não se culpe caso julgue ter perdido o senso de indignação, se ao menos ainda conserva o do ridículo. Eis aqui uma das metáforas mais intensas do primeiro romance de Eliziário Goulart Rocha – tão boa quanto as outras: se estamos vivendo em uma casa de tolerância, é apenas porque a vida é um cabaré.

Silêncio no bordel de Tia Chininha é uma novela breve e enternecedora. Entre seus méritos está o fato de produzir a certeza de que a trama está apenas começando tão logo se esgotam suas páginas. Depois de se cerrarem as portas, as imagens se mantêm silhuetadas na mente do leitor.

Da lascívia bem-temperada de Jorge Amado à escatologia explícita de Nelson Rodrigues, passando pela sociologia quase proustiana de Gilberto Freyre, as letras brasileiras já frequentaram muitos prostíbulos e incontáveis rameiras. Mas ao transportar a ação para o vilarejo de Outeiro das Almas, na fronteira Sul do Brasil – “terra de ninguém e terra de todos” –, Eliziário foi capaz de conceder uma nova dimensão (não apenas espacial) ao randevu: ele o transformou em casa da sogra...

Mas talvez tenha chegado a hora de quebrar o silêncio, aguçar a audição e limpar o nariz ranhento. Deve haver uma saída honrosa desse puteiro. Mas você só vai descobri-la se entrar nele.

Eduardo Bueno

 

Comentários

  • Dr. Rock (19/06/2007) Uma delícia, um livro encantador.... Uma escrita ótima, muito peculiar... Uma grande obra...

     

  • Alexis Evremidis (25/10/2007) Respondendo mensagem de cortesia do autor, pontifiquei: "Eliziário, foi bom você ter escrito pois eu pretendia mesmo pedir à Letras Brasileiras teu contato para expressar diretamente minha imensa admiração, gratidão e... inveja (certamente, e apesar e por causa de qualquer causa e coisa, Garcia Marquez diria o mesmo). De fato, a cada página sorvida, mais e mais crescia em mim a frustração de não ter sido eu a escrever Chininha [cujo, claro, protagonista é o silencioso vulcão adormecido (?) da desejável Jovita] - tal a somato/eroto/psicológica tomografia do feminino (e não menos do masculino, do sociológico), a contenção do tom, a meia luz, o fino humor, a sutil ironia, a etérea magia, a abotoada sensualidade (na iminência de, irrigada, desabrochar, aflorar, florescer e se esparramar), o profundo conhecimento de causa, enfim, dos mistérios. Fora o delicioso recurso das reiterações do estou indo para o Rio, dos adoráveis nomes da ranhentinha filharada (tenho reiteradamente alucinado com a predestinada à "perdição" Camila Luciane) e de trechos inteiros. Etc e + (muito +!). Falando outro dia dos Tempos Heróicos do Jakzam Kaiser, dizia eu ser uma obra-prima quando não há o que pôr nem o que tirar. É, sem intenção de infâmia alguma, também o caso do teu Bordel - além de invejável, indiscutível Obra-Prima." Repita comigo, Leitor, e em alto e bom tom: "Chega!! Agora é a minha vez. Também quero (ler e) viver!"

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