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Aventura nos mares do Brasil

Werner Zotz

O chamado do mar

Aventura nos mares do Brasil é uma resposta jornalístico-literária de Werner Zotz a um de seus instintos atávicos: o de se lançar ao oceano, como que enfeitiçado pelo “chamado do mar” – muito semelhante ao apelo da floresta que atiça o lobo domesticado da história de Jack London. Ainda com as boas lembranças da época em que possuiu um barco acesas na cabeça, em certo dia de 2006 Zotz puxou de sua “gaveta de sonhos” o projeto de singrar os mares da costa brasileira. Definiu o trajeto – do Arquipélago de Fernando de Noronha à Ilha de Santa Catarina –, estudou cartas náuticas, leu e consultou livros e revistas, reuniu um pessoal amigo e de confiança para formar a tripulação, alugou um veleiro adequado à empreitada, escolheu a melhor época para velejar, sacou a câmera fotográfica e...

Todos os trechos da viagem foram contemplados na narrativa. E apesar de dedicar um capítulo inteiro ao auxílio daqueles que quiserem repetir a jornada (um rico glossário, tipos de embarcações, questões de clima e tempo, dicas de literatura náutica, contatos e endereços úteis etc.), não pense o leitor que Zotz se contentou em fazer deste livro uma espécie de “diário de bordo”, com informações pormenorizadas do cotidiano do barco e da vida no mar, organizadas burocraticamente, por dia e hora. O narrador é marinheiro, mas o estilo é de escritor. Viajante experimentado, ele escreve sobre cada cidade, cada porto de chegada ou partida, com a intimidade de quem já esteve lá. Quando o local é virgem até para os seus olhos, o texto não esconde o encantamento (ou desapontamento) com o novo.

Não é preciso dizer que nem tudo foi brisa durante a travessia. Houve mau tempo, vagas temíveis, tempestades turbulentas, sustos na calada da noite. O fato é que os contratempos e adversidades não tiram o brilho de uma viagem que foi essencialmente turística e de lazer. As belezas naturais das enseadas, baías e dos diversos trechos litorâneos visitados – e a arribada por um sertão que não é relacionado nos discursos oficiais sobre os atrativos desse país-continente – fazem com que cada milha percorrida tenha valido a pena e a coragem. 

Felipe Lenhart

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