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Rússia – o ressurgimento da grande potência

Roberto Colin

Desde março de 2000, a Rússia é presidida por Vladimir Putin, um ex-agente da KGB considerado um enigma pelo Ocidente devido à ambiguidade de, a um só tempo, sustentar uma retórica pró-democracia e exercer um governo que tem dado demonstrações de força. O seu modo austero de governar, combinado com a recuperação econômica, foi amplamente aprovado pela população, que destinou ao premier mais de 70% dos votos na reeleição de 2004 e abriu caminho para que aos poucos ele recolocasse o país no mapa das grandes nações e fizesse valer de novo a opinião russa nas rodadas internacionais de discussão.

Uma série de acontecimentos fez de 2007 o apogeu da reimplantação dessa postura: a retomada de patrulhamentos aéreos sobre territórios vizinhos, a exacerbação do discurso oficial em defesa de interesses nacionais, o recrudescimento dos conflitos armados em suas zonas de influência, a atuação sub-reptícia do Kremlin nas eleições de países que pertenceram ao bloco da URSS, a adoção de uma relação diplomática mais assertiva em relação aos Estados Unidos, o congelamento unilateral do Tratado sobre as Forças Convencionais da Europa e até mesmo as suspeitas de que jornalistas críticos ao governo têm sido ameaçados de maneira misteriosa como nos tempos da Guerra Fria.

Essa imagem de Estado forte voltou a aparecer nas reportagens dos cadernos dedicados a assuntos estrangeiros dos grandes diários ocidentais. Afinal, questionam-se os analistas, Vladimir Putin está levando a cabo um mero delírio de grandeza de uma pátria cambaleante econômica e socialmente – estropiada por planos econômicos fracassados e uma transição comunismo/capitalismo malfeita que por anos permitiu o controle da nação por investidores-vampiros e pela máfia –, ou uma estratégia calcada em bases financeiramente estabilizadas, com grande produção de petróleo, atração de investimentos, apoio popular e poderio militar, visando ao gradual fortalecimento da Rússia como a potência que um dia foi?

Roberto Colin é um observador privilegiado desses temas e os investiga desde a origem. Por duas vezes, serviu na embaixada brasileira em Moscou, de 1989 a 1994 e de 1998 a 2001. Antes disso, acompanhou o desenrolar da crise comunista em 1985, quando ocupou o “desk” da URSS na Divisão da Europa Ocidental do Itamaraty. Agregada à leitura e à análise crítica da imprensa da época, essa larga experiência adquirida na vida prática e profissional foi de suma importância para a defesa da tese sobre a Rússia apresentada no Curso de Altos Estudos (CAE) do Instituto Rio Branco, em 2005.

Nesta obra, uma adaptação do texto da tese de 2005, Roberto Colin apresenta um panorama dos fatos que levaram Mikhail Gorbatchov a adotar as políticas da perestroika (reconstrução) e da glasnost (transparência) no decadente império soviético, o longo governo de Boris Yeltsin (de 1991 até a renúncia, em 1999) e faz uma análise do que chama de “O processo de reorganização nacional” empreendido por Vladimir Putin, o que inclui a política externa e o relacionamento com o Brasil. É a partir daí que emerge a explicação dos motivos e das estratégias que estão por trás do ressugirmento da grande potência após a intempérie política, econômica e social que quase fez soçobrar a milenária civilização russa.

 

Comentários

  • Andrea Longo (24/01/2008) Colin, estou morando em Moscou, por motivo de trabalho. Comecei a ler seu livro e gostaria de dizer que estou adorando. Foi difícil achar algo tão atual e gostoso de ler. Parabéns pelo seu trabalho. Abraço, Andrea

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