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Pensamentos valiosos
Qualquer atividade, seja intelectual ou manual, científica ou artística, é sempre apresentada como tendo suas “receitas” e seus “segredos”, fundamentados na história e verificados pela experiência. Essas “receitas” e “segredos” compõem a argamassa da tradição, pela qual os mais velhos transmitem aos mais novos, um a um, os ensinamentos sobre seu modo de vida. Essa transmissão de sabedoria, etiqueta, habilidade, destreza, enfim, o conhecimento acumulado de um grupo social, é feita através do gestual – conjunto de práticas manuais e corporais repetidas desde a infância – ou da linguagem. A tradição oral, expressa em provérbios, preceitos, mitos, contos, enigmas, fábulas e ditados populares (dictamina) são, portanto, importantes instrumentos para a transmissão da cultura de um povo.
Jaime Bernardes, o autor por trás do pseudônimo Al Stevens, é um jornalista português que, antes de radicar-se no Brasil, tornou-se cidadão do mundo. No Brasil, fundou a Nórdica, uma das mais atuantes editoras brasileiras entre meados dos anos 70 até final dos anos 90.
Em Pérolas de sabedoria, Bernardes reúne, na forma de pensamentos sintéticos, ditados, máximas e fábulas, para construir um singelo, porém contundente, libelo a favor da liberdade individual baseada no livre-arbítrio. Seus pensamentos nos lembram que um dos pilares básicos de nossa civilização é a crença na importância do indivíduo e de seus direitos como membro de uma sociedade de homens livres.
Além da crença na liberdade individual e no exercício do bom senso, Bernardes valoriza o otimismo, a busca pela felicidade, a autoconfiança, a constância e a perseverança, qualidades intrínsecas dos homens de bem. Agradece o milagre da vida e a bênção do amor. Enfim, lembra ao leitor que o dia de hoje é uma dádiva, por isso se chama presente.
O segredo da felicidade? Cada um deve encontrá-lo dentro de si. Entre tantas, uma receita para descobri-lo pode ser trabalhar no que gosta, por prazer, e não pelo dinheiro; amar com intensidade, sem medo de nova desilusão; e dançar como dançaria se estivesse sozinho, sem que houvesse alguém olhando.
Rir, ter fé e fazer o bem são temperos indispensáveis em qualquer receita.