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LIJIANG
“Neste pedaço da China, o verão só se diferencia do inverno por causa das chuvas. De junho a agosto, elas são fartas. O céu fica sempre encoberto e as nuvens impedem a vista das montanhas. Mas aqui, aos pés do Himalaia, Lijiang – a cidade da eterna primavera – desabrocha. Lijiang significa rio bonito. Um rio de água clara, transparente, usado com abençoada sabedoria. Não há um papel, um pedacinho de plástico, um sujeira sequer, nos vários quilômetros de rio que cortam esta cidade histórica.
No fundo da água avistam-se algas e peixinhos. A água é muito gelada, mesmo agora no verão, e os restaurantes poupam energia botando a cerveja para gelar no riacho, os engradados pendurados por uma corda para não serem levados pela correnteza. A fonte do Rio Bonito é uma geleira lá no alto das montanhas, agora escondidas.
(...) As casas do centro histórico da linda cidade de Lijiang são de madeira e pedra. Têm lanternas vermelhas na iluminação, pátios internos com jardins bem cuidados, esculturas em pedra, pequenos aquários de carpas coloridas.”
GUILLIN
“É mais do que a paisagem chinesa como a vemos nas aquarelas. É a paisagem perfeita na definição artística chinesa. O rio Li desce preguiçosamente, suas curvas parecem encenar os movimentos de tai chi chuan. Os blocos de granito sobem aos céus, em formas dramáticas, pontas de lanças ao mesmo tempo gentis e agressivas. Suas margens são emolduradas por bambuzais. Shan-shui, montanha e água, é um estilo da pintura tradicional chinesa. É a interpretação de Guilin. E nós começamos o dia entrando nessa paisagem.
Cedo, antes que os turistas comecem a descer o rio, embarcamos num barco alugado. Queremos a imagem limpa, como nas aquarelas clássicas. Há uma neblina no ar matinal, mas ela não vai sumir com o sol – é a poluição que cobre boa parte do território chinês, e com sua chuva ácida ameaça este paraíso oriental. As árvores que crescem entre as pedras estão morrendo, e os desmoronamentos são cada vez mais freqüentes. Mas não paramos para pensar nisso. O capitão desliga o motor do barco, e permite que ele deslize na correnteza suave. Silêncio... e sinto como se a beleza gritasse.
Algas crescem no fundo do rio de água límpida. É como uma grama aquática, pasto para os búfalos que afundam a cabeça na água e saem com a iguaria escorrendo pelos lados da boca. Um barco pequeno, parecendo uma jangada sem vela, feito de bambus colados uns aos outros, se aproxima. O velho pescador tem os pés descalços. Na cabeça, um chapéu com abas grandes. (...) Agora cedo, ele pesca. Mais tarde, vai posar com turistas, um yuan por foto.”
TEMPLO DO CÉU - Sônia Bridi entrou ao vivo – da China para o Brasil - do Templo do Céu no dia 26 de abril de 2005 (manhã do dia 27 em Pequim), na festa de 40 anos da Rede Globo.
“O Templo do Céu é um conjunto de construções redondas, seguindo uma linha do Sul para o Norte. No tempo do Império, uma vez por ano uma procissão liderada pelo próprio imperador vinha desde a cidade proibida, para que ele prestasse contas aos seus superiores: os deuses do céu. Uma das construções é como uma escadaria levando a um palco redondo, no centro do qual há uma pedra mais elevada. Até hoje os turistas repetem o que o imperador fazia: sobem na pedra e se dirigem aos céus.
— Daqui sua voz atinge o cosmos – diziam os chineses naqueles tempos.
De certa forma, é o que pretendemos fazer, mandando minha voz para o espaço, que numa rota envolvendo dois satélites, será rebatida até chegar ao Brasil. Sua alteza, o imperador, era todo poderoso, mas graças à tecnologia nós fizemos mais. Mandamos também a imagem para o espaço.”