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Jornal Pioneiro - Almanaque, 07/07/2007
Fabiano Finco
A capa desta nova edição é bem mais provocativa, mas o conteúdo segue desconcertante igual. Claudinha no Ano da Loucura, lançado em 1985, já foi considerado um clássico daquela época.
Um clássico marginal, diga-se. Seu autor, o grego radicado no Brasil, Alexandros Evremidis, não tem receio de expor suas aventuras sexuais e psicológicas, uma vez que Mavrô, personagem central da trama, é seu alter ego.
Então, a história: Mavrô, aos seus 32, 33 anos, trabalha numa redação de um importante jornal carioca no início dos anos 70. Claudinha, filha da colunista social, um dia aparece na redação. Linda, aparentando mais idade do que realmente tem, não é uma menina comum. É uma predestinada, dona de irresistível carisma, uma safada.
Mavrô e Claudinha passam a trocar bilhetinhos inocentes, que logo viram o estopim para uma relação quase depravada. Detalhe: Claudinha tem 12 anos. Mavrô passa a ser uma espécie de guru para a menina. Ele lhe inicia no sexo e nas idéias revolucionárias de uma geração recém-saída das limitações da ditadura, e que ainda sofre com seus planos não configurados. No apartamento de Mavrô rola sexo grupal, drogas e uma forte depressão coletiva, protagonizada por jovens avessos ao que o destino lhes propõe. E mais, rola uma severa impotência diante da grandeza do amor. A narrativa não traz nada de grandioso literalmente, mas vicia.
Claudinha no Ano da Loucura é o terceiro livro de Evremidis, hoje com 66 anos. Melissa e Adeus Grécia, ambos de 1974, apesar de terem sido escritos em outra época, também trazem muito sexo nas histórias. Como lembra Carlos Heitor Cony na orelha de Claudinha, o autor já foi acusado de ser pervertido demais. Mas quem não o seria numa época em que a liberdade cabia dentro de um apartamento em Copacabana?