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A Notícia - Anexo, 10/08/2005
Deluana Buss
Escritor conta detalhes de empreitada por rios do Norte
Florianópolis – Era final de julho de 2004 quando o escritor catarinense Werner Zotz, o premiado autor de “Apenas um Curumim” e “Rio Liberdade”, ambos da Editora Letras Contemporâneas, e sua mulher Betty, paraense de Benfica, saíram de Florianópolis em direção ao Norte do Brasil. Durante 40 dias, percorreram, de barco, 3 mil quilômetros dos rios Amazonas e Solimões. A viagem rendeu o livro “Aventura no Rio Amazonas – Viagem Fantástica do Marajó a Tabatinga”, que está sendo lançado, hoje, em São Paulo, também pela Letras Contemporâneas, dirigida pelo próprio Zotz.
Esta é a segunda expedição do escritor que vira livro. Na primeira, “Aventura no Fim do Mundo” (Letras Contemporâneas), ele relata uma viagem de carro desde Santos (SP) até Ushuaia, na Argentina, no Extremo-sul das Américas. Enquanto esse primeiro relato era mais voltado para a descrição da paisagem, o segundo está focado no povo e seu jeito de viver numa região de distâncias inimagináveis para a maioria dos outros brasileiros. “Um dos locais mais marcantes para mim foi Mamirauá, repleto de mata virgem e isolamento”, conta Zotz.
Ilustrados com fotos, o texto de “Aventura no Rio Amazonas” também é convidativo. Ele apresenta personagens, fornece dados históricos sobre as diferentes cidades por onde vão passando, fala das comidas da região. Assim, Zotz fica livre para explicar que existe grande diferença entre a farinha de mandioca e de tapioca, a primeira fininha e ingerida com feijão e arroz, e a segunda mais grossa, normalmente misturada ao açaí, que aparece em várias fotos sendo comercializado em balaios. Seus vendedores, aliás, são reservados, de pouca conversa, enquanto os vizinhos que vendem peixe gostam de se exibir, sorridentes e alegres. Detalhes como esses enriquecem o livro, e trazem ao leitor uma grande vontade de participar da aventura.
Aos que realmente quiserem partir para a prática, o livro fornece no final, uma parte de serviços, com dicas como a melhor época para se viajar para a Amazônia – o tempo lá é regido pelo ciclo das águas –, ou a necessidade de cuidados básicos como a vacina contra a febre amarela e a ingestão de líquidos sem bactérias a que o corpo não está acostumado. “O recomendável é beber apenas cerveja e água mineral (para ter certeza da origem, exija que a garrafa seja aberta na sua frente)”, alerta o escritor, que também fala sobre aviões, hotéis e pousos, compras, guias de viagem e até preços. Uma viagem igual a deles, por exemplo, custaria aproximadamente R$ 12 mil, para duas pessoas.
O QUÊ: Lançamento do livro fotográfico Aventura no Rio Amazonas – Viagem Fantástica do Marajó a Tabatinga, de Werner Zotz. QUANDO: Hoje, 19 às 22h. ONDE: FNAC, Av. Pedroso de Moraes, 858, Pinheiros, São Paulo, tel.: (11) 4501- 3000. QUANTO: R$ 80,00 (livro).
Trecho
“Pontualmente às 12:00 horas, dona Vitória nos chama. Ela passa pelos corredores do deck superior, bimbalhando um sino e avisando: ‘Almoço, almoço, o almoço está servido! Arroz, feijão, salada de batata, salada de alface com tomate, macarrão, frango. Sobre as mesas, tucupi com pimenta, para temperar a comida. O jantar era servido às 18 horas. As sobras do meio-dia reapareciam à noite, transformadas num sopão. Nos dias seguintes, o cardápio flui mais simples. Carne no lugar de franco, arroz, farofa, salada, melancia como sobremesa. Apesar de estarmos navegando pelo maior rio do mundo, nunca apareceu peixe em qualquer refeição a bordo do Amazon Star."