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A China por trás das câmeras

Jornal Pioneiro - Caderno Sete Dias, 22/07/2008
Da equipe do Sete Dias

Literatura
Sônia Bridi lança livro sobre sua experiência como correspondente no Oriente

Aexperiência de dois anos vivendo e trabalhando na China rendeu à jornalista catarinense Sônia Bridi uma porção de histórias inusitadas e acabou servindo de matéria-prima para Laowai - Histórias de uma Repórter Brasileira na China. Livre de censura e sem qualquer formalidade, Sônia deixa o microfone de lado para retratar o exotismo da sociedade chinesa a sua própria maneira, escrevendo sobre acontecimentos que jamais se veria na televisão.

Com estilo de grande reportagem e diário de viagem, o livro não só trata do enigma chinês como também abre as portas para a intimidade da repórter, que trazia informações diretamente da China enquanto foi correspondente da TV Globo no Oriente, entre 2005 e 2006. Praticamente sozinhos no outro lado do planeta, Sônia Bridi e seu marido, o repórter cinematográfico Paulo Zero, enfrentaram o desafio de montar a primeira base da emissora naquele país, precisando se virar em um lugar novo com um filho de três anos a tiracolo.

- Só havia incertezas, dificuldades, o desconhecido à vista. O que mais um casal de repórteres poderia desejar? - brinca a autora, nas primeiras páginas da obra.

Claro que tantas dificuldades vieram acompanhadas de situações pitorescas e não poderiam passar em branco pelas mãos da jornalista. Do começo ao fim, Laowai (estrangeiro, em chinês) é recheado com histórias de bastidores. Episódios engraçados se confundem com relatos emocionados e retratam a realidade de um povo reprimido, que já atraía os olhares do mundo muito antes dos preparativos para os Jogos Olímpicos deste ano. Seja exaltando as grandezas ou as mazelas do país mais populoso do planeta, Sônia Bridi não esconde seu papel de estrangeira numa cultura estranha. Observando tanto quanto era observada, o olhar da brasileira revela uma China desconfiada, conformada, mas ao mesmo tempo curiosa sobre o mundo e disposta a renascer.

Em território chinês, o casal de jornalistas descobriu que o povo dos olhinhos puxados não costuma fazer fila, não senta em vaso sanitário, solta gases sem a menor cerimônia e escarra publicamente a qualquer hora. Mas tradições e regras de etiqueta à parte, Sônia também apresenta ao leitor pedaços de uma população alegre, solidária e acolhedora. Afinal, nada muito diferente dos brasileiros.

Nesta semana, o casal embarca novamente para a China, para cobrir as Olimpíadas de Pequim. Para quem nasceu em Caçador, se formou em Florianópolis e já trabalhou em países como Estados Unidos, China e França, não resta dúvida: o mundo é a casa de Sônia Bridi.

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