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Zero Hora - TV Show, 20/07/2008
Gabriela Germano
Em livro, a repórter Sonia Bridi conta suas aventuras como correspondente na China
Nos dois anos em que viveu na China como correspondente internacional da Globo, a repórter catarinense Sonia Bridi não passou despercebida pelas ruas. Com seus traços ocidentais e olhos verdes, chamava a atenção das criancinhas nas ruas, que gritavam para ela "laowai, laowai" - que significa estrangeiro em chinês.
E um país com cultura e costumes tão diferentes dos nossos também não passaria despercebido pelo olhar atento e sensível jornalista. Para contar sua experiência profissional e pessoal, Sonia está lançando o livro Laowai - Histórias de uma Repórter Brasileira na China.
- É um lugar que guarda muitos mistérios. Me perguntam sobre tudo o que vivi, e acho que o pouco que consegui compreender eu tinha de registrar - diz Sonia.
Nas 384 páginas ilustradas por várias fotos feitas pelo marido de Sonia, o cinegrafista Paulo Zero, o livro da editora Letras Brasileiras registra momentos felizes e frustrantes. Ela não hesita em contar que a maior alegria em todo esse período que viveu na China era conseguir produzir e enviar as matérias para o Brasil: a burocracia do país atrapalhava, e muito. Na busca por uma pauta, a jornalista conta também que cometeu sem querer uma de suas maiores gafes.
- Pressionei um chinês publicamente até que ele me disse não, com vergonha. E deixar um chinês envergonhado é a pior coisa que alguém pode fazer - explica.
Ao lado de Zero, Sonia formou a primeira equipe da Globo a montar uma base de jornalismo na China. Apesar da rotina pesada para desenvolver matérias, os momentos com a família também são guardados com carinho - e, claro, registrados no livro. O filho do casal, Pedro, tinha apenas três anos quando eles toparam a aventura por terras orientais e desconhecidas.
- Avaliar a rotina do meu filho lá também foi complicado. Mas descobri muito para minhas pautas indo atrás das necessidades dele.
O guri chegou a aprender bem o mandarim. Já Sonia, nem tanto. Ela contou com a ajuda de uma intérprete no trabalho mas, no dia-a-dia, sobreviveu de decoreba.
- Decorei como se falava o endereço de casa, como se pedia água ou duas cervejinhas (risos).
Apesar de tantas diferenças, a jornalista enfatiza que China e Brasil têm mais em comum do que muitos ousam imaginar. Como os brasileiros, os chineses são alegres, gostam de se reunir com os amigos ou jantar em família. E também são curiosos.
- Eles são tão ignorantes em relação a nós quanto somos em relação a eles - compara, acrescentando que jamais pensou em fazer um livro sobre a sociedade chinesa, seu regime político ou sua economia. - É apenas o relato de uma família e de repórteres que viveram lá.
Atuando como correspondente da Globo em Paris, Sonia integra a equipe que vai cobrir a Olimpíada de Pequim, para onde embarca já na próxima semana - os Jogos têm início dia 8 de agosto. Depois de viver em meio ao imenso canteiro de obras em que a cidade se transformou para o evento, ela está ansiosa para ver tudo pronto.
- O sucesso da Olimpíada pode levar a uma abertura do país. Já o fracasso pode fazer com que eles se fechem ainda mais - opina.