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Revista UM - Seção ClubeLivros, 10/07/2007
Pedro Henrique Carvalho
Uma história maluca, na fronteira entre ficção e realidade. Nos anos 70, um grego vem morar no Brasil e, aos 36 anos, conhece uma garota de 12 chamada Claudia, cheia de personalidade e desejos. Ela dá a ele o apelido de Mavrô. Vivem um romance tórrido, banhado em sexo, drogas e batalhas contra a repressão moral. O namorado escreve um livro baseado no caso, em que os personagens chamam-se Claudinha e Mavrô. O título vira um cult dos 80, esgota-se nas prateleiras e agora é relançado. A moça torna-se uma atriz famosa, cujo nome ele não revela nem sob tortura.
É mais difícil lançar Claudinha agora do que foi nos anos 80?
Publicar foi mais fácil, porque a produção de livros é maior. Mas tem sim essa história da religião, dos bons costumes. Vamos ver aonde vai dar. Na época, não sofri ataques ou reclamações.
Lolita, de Vladimir Nabokov, serviu como inspiração?
Sim. Na adolescência, não tive contato com mulheres. Era uma coisa proibida pelos gregos ortodoxos. Eu ficava desesperado com o desejo, gemia pelas ruas, me escondia pelos cantos para me masturbar. Então li Lolita e fiquei fascinado. Mas a garota do Nabokov não tem inquietações intelectuais, é uma bonequinha de luxo. A Claudinha é uma atualização, no contexto efervescente das mulheres queimando sutiãs.
Quanto da história é real?
Claudinha é um personagem. Ela e a história são baseadas na garota com quem tive caso, é ficção, parte é real, como em todo romance - assim como outro livro meu, Melissa, que é baseado no namoro que tive com Elke Maravilha.
Por onde ela anda?
Virou uma grande atriz. Encontrei-a eventualmente pelos anos, mas a coisa já tinha perdido o encanto. Não entro em detalhes, porque muita gente quer descobrir quem ela é, o diretor pede que eu revele...
Eu também adoraria se você revelasse.
A Claudinha é o personagem. A pessoa física que o inspirou não interessa mais, absolutamente.