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Blog SpaceMelato, 02/08/2007
Fabiano Melato
Alexandros Evremidis, quase 67 anos, precisa urgentemente escrever sua biografia. Grego de nascimento, fugiu da guerra que devastava a Macedônia natal, ganhou o mundo, estudou em 11 faculdades (não concluiu nenhuma), radicou-se no Brasil nos anos 1970 e hoje mantém um site, o portal RioArteCultura. Publicou três livros, e um deles, cult absoluto há mais de 20 anos fora de catálogo, acaba de ser relançado pelas Letras Brasileiras. Claudinha no Ano da Loucura fala sobre o romance de um jornalista trintão com uma pré-adolescente no Rio do desbunde. Claro que se pensa logo em uma Lolita turbinada por maconha e pílulas variadas. Li com uma pulga moralista me picando. "Essa história vai dar merda", esperei. Que nada! Apesar das drogas, da putaria descontrolada e da (às vezes incômoda) sensação de que a bomba vai estourar, Claudinha, a Lolita carioca, e Mavrô, o alter-ego de Alexandros, levam seus desejos aos extremos e voltam aparentemente intactos.
O texto é cru e não admite rodeios. As palavras são simples:
Um dia, alisando minha coxa, foi subindo até a virilha e aí desviou para dentro acariciando o meu sexo! Eu, desfalecido, prendi a respiração para parar o tempo. Mas não houve jeito. Um jato de esperma inundou sua mão e minha barriga. Ela levou um pequeno susto, "Ai, que nojo!", e limpou a mão nos lençóis.
Claudinha jurou que mataria o escritor caso um dia levasse a público tudo o que viveram entre 1972 e 1974. Alexandros/Mavrô, ex-marido de Elke Maravilha (não disse que o cara merece uma biografia?), tá vivinho e com muitas histórias para contar. O pesadelo de ser baleado na própria noite de autógrafos nunca entrou para a crônica policial carioca.