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Jornal do Comércio, 10/11/2006
Liège Copstein
O último original inédito do folclorista Barbosa Lessa (1929 – 2002) foi lançado a caráter nesta Feira do Livro. E bem no estilo de Lessa, tinha que ser um belo causo. E um belo “acauso” também. O diretor das Letras Brasileiras, Jaksam Kaiser, durante anos manteve correspondência com o autor, numa amizade que surgiu a partir da pesquisa antropológica feita por Jaksam. Quando Lessa morreu, o texto de Gaúcho, o campeiro do Brasil (The Brazilian Cowboy) ainda estava à espera engavetado. “Viemos à Câmara Rio-Grandense do Livro com a intenção de um lançamento discreto, como um sarau eletrônico, no máximo”, lembra o editor. “Mas todas as pessoas com quem falávamos, na Câmara, na Casa de Cultura Mário Quintana, ficavam emocionadas e queriam ajudar”.
O carinho por Barbosa Lessa resultou na apresentação Uma noite com Barbosa Lessa, no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo. Do acervo da TVE-RS veio o vídeo com imagens e falas do autor. “Foi o jeito de ele estar mais presente”, explica Jaksam. A noite abriu com a interpretação emocionada do Hino do Rio Grande do Sul pelo violão do virtuosíssimo Lucio Yanel. Depois, Yanel e o cantor Ivo Fraga trouxeram todas as canções que embalaram gerações de guascas, como Pezinho, Balaio e Quero-Quero, em leituras inesperadas. “Sou urbano, ali do bairro da Medianeira, mas essas músicas marcaram minha infância. É com esse sentimento que as interpreto”, revelou Fraga, que não se encaixa em estereótipos.
“Sei que este não é o livro mais importante do Barbosa Lessa, ele produziu dezenas, até romance policial”, confessa Jaksam. “Acontece que a própria família me disse: é o mais bonito, um livro fotográfico. Como a edição é bilíngüe, a filha dele, que mora nos Estados Unidos há 16 anos – ele tem netos americanos – está levando para os CTGs de lá. E fizemos questão de publicar no texto o manifesto tradicionalista redigido no primeiro congresso de CTGs, de 1954, quando foi decidido que este seria um movimento popular, de massa.”
É como dizem os rio-grandenses (ou será cisplatinos?): “Em qualquer chão – sempre gaúcho!”