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Parte 1 (Apresentação)

Blog Amante Profissional - Seção: Livros para ler na cama, 11/09/2007
Paula Lee

Será que você consegue se imaginar num outro cenário, um outro tempo e com uma outra vida? Não, não estou falando do Second Life. Volte no início da frase, e esqueça o jogo. Se então topou o desafio, sinta-se uma mulher, casada, mãe de cinco filhos, cada um com dois nomes próprios, e sempre nessa ordem: Daniel Vinícius, Ricardo António, Márcia Clarice, Camila Luciane e Cleide Tamara.

Você não tem dinheiro, não é “independente e descolada”, não vive numa cidade que possa lhe proporcionar grandes recursos, não tem experiência… Ou seja, bem aquela coisa à moda antiga, em que a mulher vivia para o marido e os filhos. O marido vai procurar melhores condições de trabalho na cidade grande, e você fica com os seus cinco filhos, Daniel Vinícius, Ricardo António, Márcia Clarice, Camila Luciane e Cleide Tamara.

Está achando fácil? Eu não conseguiria nem decorar o nome de todos os filhos, quando muito misturaria o primeiro nome de um com o segundo de outro, mas tudo bem, prossiga, Paula Lee…

Sua única solução, naquele momento, é ir para a casa da sua sogra. Para a grande maioria das pessoas, só o facto de ir para a casa da sogra já não é propriamente um presente dos céus. Que é que eu fiz para merecer isso, meu Deus? Eu bem que te avisei que não era o Second Life, ou será que alguém no Second Life pensa em morar com a sogra? Para que vale ter uma segunda vida se nela você vai ter que pagar todos os seus pecados de forma tão amarga? - me diria um amigo. Dizem que morar com a sogra é fazer vestibular para o céu. Também já me disseram que as sogras só deviam ter dois dentes, um para abrir garrafa e o outro para doer. Uma pessoa também haveria dito: «Sogra e cerveja, só bem geladinha, em cima da mesa!» Que absurdo!, um dia eu disse para um desses meus amigos que adoram me contar piadinhas de sogra, a minha é um anjo! «Sorte sua», ele me responde, «porque a minha ainda não morreu!» As sogras que me perdoem, mas piada é fundamental! (Agora sim, apelei, e após ouvir uma dessas, se Vinícius de Moraes estivesse vivo nunca mais conseguiria escrever ou compor qualquer coisa, de tão bestificado que ficaria. Me perdoe, Vinícius…)

Mas vamos largar as piadinhas de lado e voltar para a história, respire fundo. Além de ter que ir morar com a sogra, não se esqueça que você chegará na casa dela com seus cinco filhos, Daniel Vinícius, Ricardo António, Márcia Clarice, Camila Luciane e Cleide Tamara. Um, ou até dois, tudo bem, mas não, você chega com cinco crianças atrás.

Mas agora acrescentamos um pequeno detalhe: a sua sogra é a dona do bordel mais famoso da região. Isso mesmo, você e seus cinco filhos vão morar dentro de um bordel.

Mas não pense que o “Silêncio no Bordel da Tia Chininha”, do escritor Eliziário Goulart Rocha, é um relato sobre a relação de uma mulher com a sua sogra, ou dos conflitos que ambas terão por causa desse parentesco acidental, digo assim porque esse meu amigo me corrigiria “sogra não é parente, é acidente!”. (É mesmo verdade, adoro a minha, nem devia estar contando essas piadinhas aqui. Tudo o que gosto no Gatito é justamente resultado da boa educação que ela lhe deu, e para essa mulher fantástica e que aqui sempre aparecerá sem nome presto a minha homenagem).

Na verdade, esse texto todo, em que me concentro na sogra, em que brinco com a sogra, em que falo na sogra… foi apenas para embaralhar vocês, ao mesmo tempo tentando fazer com que tentem entrar na história. Mas a história ainda não começou. Esta é, apenas, uma pequena apresentação. Numa segunda parte desse post sim, falarei mais detalhadamente sobre esse livro, e inclusive com a seriedade que ele merece. Para já deixo apenas a minha opinião pessoal: a leitura do “Silêncio no Bordel da Tia Chininha” foi para mim uma das melhores surpresas do ano.

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