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Nem só de mistério vive o noir

A Notícia - Anexo, 07/11/2007
Izabela Liz

Ganimedes, 32 anos, um aristocrata falido que vive de expedientes escusos e negociatas, é o narrador da novela “Txakazuê”, de Igor Miguel Pereira, escritor de apenas 18 anos que faz a sua estréia na carreira literária. Publicado pela editora catarinense Letras Brasileiras e com lançamento previsto para hoje em Brasília, onde vive Igor, e no próximo dia 13 no Rio de Janeiro, o livro pode ser definido como uma narrativa policial nonsense.
O narrador é um detetive autônomo e abusa do pleonasmo em frases de efeito pseudo-eruditas como recurso para confundir os interlocutores e demonstrar inteligência e erudição. “Por meio de Ganimedes, o autor debocha dos clichês do gênero policial, desde os clássicos de Agatha Christie e Conan Doyle aos noir de Dashiell Hammet e Raymond Chandler”, diz Jakzam Kaiser na apresentação do livro.

Igor começou a escrever a novela aos 15 anos, depois de ler “A Metamorfose” e “O Processo”, de Kafka. Na história, Ganimedes é contratado pelo traficante Salamandra para descobrir um hacker que roubou R$ 1,00 da conta bancária do tráfico. Com personagens e enredo improváveis, o autor cria situações nas quais aproveita para fazer uma crítica aos costumes atuais.

Txakazuê é uma variação de Txaóykazueil, palavra formada dos radicais Txaóy, oriundo de dialeto tamoio, e kazuel, de dialeto dos bantos de Moçambique, que pode ser uma saudação, uma bênção, um grito de guerra ou um tempero usado no preparo de um peixe, dependendo da entonação.


Igor nasceu em Angra dos Reis (RJ), mas vive na capital federal desde 2004, onde cursa jornalismo na Universidade de Brasília. Ao se definir, diz com muito bom humor que já foi cantor e letrista de bandas que não ensaiavam, autor de blogs que ninguém acessava e documentarista de natais familiares. “Sou torcedor do Botafogo, o que explica muita coisa”, brinca. O livro da editora ainda não tem previsão de lançamento em Santa Catarina, mas já está à venda nas livrarias do Estado.

 


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