Roteiros do Brasil

home » turismo & cia

Turismo & Cia.

O novo momento da Bahia

O modelo de turismo adotado pela Bahia é referência para todo o Brasil. Com a mudança ocorrida na direção da Bahiatursa – conseqüência do afastamento do grupo político que administrou o Estado nos últimos 16 anos – os olhos do país se voltam

Emília Salvador Silva - Presidente da Bahiatursa

“Uma gestão democrática é outro valor deste novo momento. Dentro da Bahiatursa não existe mais indicação política na escolha de estagiários, que agora são contratados por meio de seleção pública. Também é importante para a empresa estreitar a relação com as universidades e faculdades locais que oferecem cursos de turismo. Atualmente, estas instituições, dentro da Bahia, formam um contigente de cerca de mil bacharéis por ano.”

A vitória do governador Jaques Wagner nas últimas eleições marcou o afastamento do poder do grupo político que governou a Bahia por mais de 16 anos. É natural, portanto, que cresça a responsabilidade de todos nós, da nova administração, de corresponder às expectativas do povo baiano. No setor do turismo não poderia ser diferente. Nosso compromisso é desenvolver uma gestão pautada pelo turismo sustentável, que promova a justiça social, a integração cultural e seja econômica e ambientalmente responsável.

Neste novo momento do turismo baiano, a Bahiatursa passa a focar-se na promoção do produto Bahia tanto no mercado interno quanto no exterior. As funções de planejamento, fiscalização e regulamentação do setor passarão a ser executadas pela Secretaria de Turismo (Setur). O investimento em novos segmentos turísticos, bem como o fortalecimento dos existentes, será realizado em conjunto entre as duas entidades.

Uma gestão democrática é outro valor deste novo momento. Inúmeras parcerias com o trade turístico estadual estão sendo viabilizadas, o que contribui no planejamento de eventos e aporte financeiro. Em nível interno, não existe mais indicação política na escolha de estagiários, que agora são contratados por meio de seleção pública. Também é importante estreitar a relação com as universidades e faculdades locais que oferecem cursos de turismo. Atualmente, estas instituições formam cerca de mil bacharéis por ano.
Assumir o comando da Bahiatursa é um desafio enorme, já que ela uma das principais referências entre os órgãos de turismo do Brasil. Não vamos abandonar os segmentos tradicionais. Pelo contrário, desde o início da gestão atual realizamos ações no sentido de impulsioná-los, para atrair novos empreendimentos, aumentar o número de turistas e, por conseqüência, proporcionar mais renda e emprego para o povo baiano. Mas é preciso inovar.

A vanguarda do turismo

Em visitas às mais importantes feiras internacionais de turismo (na Itália, Portugal, Espanha e Alemanha) pudemos constatar que o surgimento de um novo turista – que viaja seduzido pela possibilidade de vivenciar uma experiência incomum – está pautando o que se pode chamar de vanguarda da atividade turística global.

Esta nova tendência, chamada de “turismo de experiência”, é a aplicação na prática dos conceitos elaborados pelo dinamarquês Rolf Jensen, no livro The Dream Society (editora Mcgraw-Hill, 1999). Na obra, o autor previa o surgimento de um novo consumidor de turismo, que traria mudanças ao setor como um todo, tanto do ponto de vista da gestão pública como da iniciativa privada. 

Há agências, por exemplo, que já oferecem test drives em carros de Fórmula-1 e excursões à Rússia, onde se pode experimentar a gravidade zero. Um programa permite ao viajante vivenciar, por um dia, a rotina de um artista circense; uma agência paulista criou viagem ao Brasil sob medida para um norte-americano cego. No roteiro, foi incluída uma visita a uma olaria, para que o turista pudesse moldar o barro, além de lugares ricos em sons e cheiros característicos do nosso País.

Para que a Bahiatursa possa efetivamente entrar em compasso com essa nova tendência mundial, é preciso muito trabalho. Ser criativo e eficiente para que o turista se sinta feliz, goste da localidade que visitou e volte à sua cidade de origem contando histórias fantásticas sobre os conhecimentos que adquiriu e as experiências por que passou. No caso da Bahia, dois novos segmentos estão em desenvolvimento com o objetivo de atrair este consumidor especial: o enoturismo e o turismo étnico. 

O sabor do vinho baiano 

Visitar uma cantina, conhecer a história do lugar, aprender o processo de elaboração dos vinhos e derivados, degustar e comprar produtos no local de fabricação são atividades que crescem a cada dia. Só na Itália – país onde surgiu o enoturismo, com a criação do Dia do Vinho –, aproximadamente seiscentas fazendas exploram o enoturismo. No Sul do Brasil, o setor turístico já iniciou esse trabalho e tem obtido sucesso: o fluxo de turistas triplicou nas localidades que implantaram o enoturismo. 

Na Bahia, o Vale do São Francisco desponta como o segundo pólo vitivinicultor do Brasil, com uma produção de vinhos finos premiados nacional e internacionalmente. São oito vinícolas instaladas nos municípios baianos e pernambucanos, produzindo 4 milhões de litros/ano. Este é um potencial que o governo baiano pretende estimular e explorar, junto com a iniciativa privada, para implantar o enoturismo. 

Com o “Roteiro do Vinho no Vale do São Francisco”, o turista terá a oportunidade de conhecer um outro lado do Nordeste, visitando as seis fazendas de uvas e estações de produção de vinho. O enoturismo alia-se à proposta do governo de interiorização do turismo no Estado. E é dentro deste contexto que iniciamos a articulação com empresários baianos dos setores vinícola e turístico para incentivá-los a promover o segmento. 

Os negros baianos e o turismo étnico 

Diz-se que tudo na Bahia é fruto da cultura negra, mas essa característica nunca foi trabalhada de forma específica no turismo. O que existe atualmente, no Estado, são iniciativas independentes executadas pelos blocos afros. Além de realizar ações sociais importantes junto às suas comunidades, os blocos projetam o nome da Bahia – dentro e fora do país – pela representatividade, tradição, cultura e brilho. Acreditamos que o segmento do turismo étnico trará identidade à nova administração, tanto que ele já conta com uma incubadora na Setur. 

Um exemplo muito interessante do turismo étnico na
Bahia é a festa da Boa Morte, uma comunidade negra secular, encravada no Recôncavo Baiano, que preserva, até hoje, os seus hábitos e costumes. É um importante evento cultural/religioso, que reflete aspectos da Diáspora africana e tem despertado o interesse da comunidade negra norte-americana – os Estados Unidos são um grande mercado emissor. Nossa intenção é trabalhar principalmente junto à comunidade de Nova Iorque, a segunda maior cidade de descendência afro-americana fora da África. A primeira é Salvador. 

Dentro desta perspectiva, a Bahiatursa e a Secretaria de Turismo vão criar um calendário de turismo afro-baiano para reunir eventos e manifestações – ensaios dos blocos afro, festivais de música e exposições de arte –, implementar corredores culturais – como no bairro da Liberdade, em Salvador – e organizar roteiros turísticos específicos, que hoje são feitos de maneira pulverizada – visitas a áreas remanescentes de quilombos, como a Ilha da Maré. 

Destino Bahia: Terra  de Todos os Santos 

A Bahia vive um momento muito bom com relação a investimentos no setor hoteleiro. São mais de 30 novos hotéis que estão em planejamento ou em implantação em todo o Estado, movimentando US$ 2,2 bilhões. Mais 13 projetos estão em fase de estudos com áreas já adquiridas, uma demonstração de que os investidores acreditam no sucesso do setor turístico baiano.  

Segundo dados da Setur, até o ano de 2010 os novos investimentos privados para as zonas turísticas baianas deverão ultrapassar a casa dos US$ 2 bilhões, sendo que mais de US$ 1,5 bilhão corresponde a projetos já em execução. Pela nossa estimativa, até essa data os investimentos públicos serão de aproximadamente US$ 2,4 bilhões – dos quais US$ 1,8 bilhão representam obras concluídas pelo governo ou em fase de execução. 

Sabemos que para aumentar o fluxo de turistas é preciso proporcionar um melhor acesso, criando novos vôos. Durante o primeiro semestre de 2007, conseguimos junto à TAM um vôo diário Salvador-Buenos Aires e outro para Paris. Também estão bem adiantadas as negociações para a criação de uma linha entre Nova Iorque-Salvador, com a American Airlines e a TAM. Estão ainda nos planos de trabalho ampliações do número de vôos de Portugal, Itália e Espanha, além do aumento do número de vôos nacionais para a Bahia. 

Com relação à infra-estrutura aeroviária, o governo da Bahia, por meio de convênios com o governo federal, deverá construir mais uma pista no Aeroporto de Salvador, novos aeroportos internacionais em Ilhéus e Porto Seguro, bem como uma nova estação de passageiros do aeroporto de Caravela e melhorias nos aeroportos de Lençóis, Valença e Paulo Afonso. 

Nesse início de governo, já participamos de vários eventos no exterior e foi interessante verificar a receptividade do consumidor europeu pelo destino Brasil, com destaque para o produto Bahia. Até o fim do ano, o destino Bahia será promovido em mais 29 eventos nacionais e 20 internacionais. Queremos criar cinco novos destinos e melhorar a qualificação dos 25 que já compõem o Produto Bahia, priorizando a Baía de Todos os Santos – maior baía tropical do mundo –, a Chapada Diamantina e a região dos lagos do rio São Francisco. 

Tudo para proporcionar ao turista, cada vez mais exigente, experiências únicas na Terra de Todos os Santos e Orixás. Axé Brasil! &


« voltar