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Turismo & Cia.

Lições de férias

Uma viagem de veleiro pela costa brasileira, de Fernando de Noronha a Florianópolis, e uma incursão rodoviária pelo sertão nordestino foram as minhas opções para aproveitar os meses de descanso no início do ano. Como sou do tempo em que educação

Werner Zotz - Escritor de livros de turismo e viagem, autor de clássicos da literatura infanto-juvenil e empreendedor na área editorial

“Milhares de turistas brasileiros e estrangeiros conhecem o litoral do Nordeste. Mas quantos realmente viajaram pelo agreste e pelo sertão? Não conheço ninguém que já tenha passado pelas localidades de Cabrobó e Orocó... Essas reflexões me remetem a um outro questionamento: quantos entendidos há por aí que deitam falação sobre turismo, sem conhecer as distintas realidades de cada uma das regiões do Brasil?”

No meu tempo de criança – e lá se vão mais de 50 anos – estudo era coisa séria. Tão séria que se estudava até mesmo nas férias. Antes do Natal, cada professor passava aos alunos as Lições de Férias, tarefas a serem estudadas e vencidas nos meses de janeiro e fevereiro para avaliação no início do novo ano letivo. Quando cheguei à 1a série do ginásio, tive o privilégio de estudar com o professor Herculano. Apaixonado por História e Geografia, transformava suas aulas num universo de encantamento e descobertas. Foi com ele que aprendi a enveredar pelo mundo das viagens; algumas reais, outras imaginárias.

No fim daquele ano, entregou a cada um dos seus alunos um mapa do Brasil. Grande, com muitas dobras, colorido. Explicou o significado daqueles traços e símbolos: rodovias, estradas de ferro, divisas de estados, rios, lagos, mares, cidades. A tarefa era simples: cada aluno deveria escolher um destino, viajar até ele e contar sua experiência em forma de relato. Lembro que, no meu imaginário, naveguei o rio Araguaia, com parada de dias na ilha do Bananal. Sem internet, a pesquisa era feita em enciclopédias e em livros de aventura. 

Desde então, sou um viciado em mapas e em viagens. E conservo o hábito de estudar nas férias. 

Em janeiro deste ano de 2007, resolvi por uma viagem diferente: navegar a costa brasileira – de Fernando de Noronha a Florianópolis – de veleiro, com uma incursão rodoviária pelo sertão nordestino. Quem tiver interesse, pode acompanhar o relato desta expedição lendo o livro Aventura nos Mares do Brasil, que a editora Letras Brasileiras lançará no segundo semestre de 2007. O foco deste artigo é apenas discorrer sobre aspectos turísticos de alguns dos destinos de viagem deste nosso imenso Brasil. 

Nordeste e sertão nordestino 

O roteiro traçado desenhava uma lua crescente, quase um círculo, no mapa do Guia 4 Rodas: Recife, Gravatá, Caruaru, Arcoverde, Serra Talhada, Salgueiro, Petrolina, Juazeiro, Senhor do Bonfim, Feira de Santana, Salvador, Costa Verde, Mangue Seco, Aracaju. 

A curiosidade era grande e justificava a aventura. Milhares de turistas brasileiros e estrangeiros conhecem o litoral do Nordeste. Quantos realmente viajaram pelo agreste e pelo sertão? Não conheço ninguém que já passou por Cabrobó e Orocó... Isso me remete a outro questionamento: quantos entendidos deitam falação sobre turismo, sem conhecer as distintas realidades de cada uma das regiões do Brasil? 

A região de Gravatá surpreende pelo inusitado. Montanhas, clima ameno, bonitas chácaras, condomínios rurais com casas de bom gosto lembram as cidades das serras do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro: Gramado, Canela, Teresópolis, Petrópolis. O cenário se completa com uma infinidade de outdoors de haras de criação de cavalos puro-sangue e festas de vaquejadas. 

Caruaru, terra natal de mestre Vitalino, famosa pelo artesanato em barro, delimita o início do agreste pernambucano: vegetação baixa, mas ainda verde. A feira é enorme, dizem ser a maior do Nordeste. O artesanato some no meio de centenas de barracas vendendo roupas de baixo custo. O jeito é subir o Alto do Moura, para visitar o bairro. A casa onde viveu mestre Vitalino, hoje administrada por seus filhos, é pequena, simples, humilde. Ao seu redor, dezenas de lojas vendem artesanato. 

Serra Talhada é inconfundível. A montanha e o paredão exibem-se em meio à vegetação da caatinga. Estamos na terra de Lampião e Maria Bonita! A impressão que levamos da pequena e pacata cidade é de uma gente amigável com quem conversamos na praça, nas ruas, no museu que traz recordações de um tempo antigo de cangaceiros e volantes... 

O mapa do Guia 4 Rodas alerta para os perigos do trecho entre Salgueiro e Petrolina. O aviso é claro: “Atenção, o trecho apresenta alto índice de assaltos”. O bom senso aconselha a ter cuidados redobrados. Numa lanchonete à beira da estrada encontro dois policiais, com coletes à prova de balas, revólveres no coldre, cartucheira carregada de balas. Cumprimentam-me, simpáticos e sorridentes. Puxam conversa; de onde somos, o que fazemos no sertão, para onde vamos? Pergunto sobre o alerta do mapa. 

— Tem perigo não. Em Pernambuco vocês estão seguros, as estradas são bem policiadas, bandido aqui não tem mais vez. Vocês têm que se cuidar é na Bahia... 

A velha rivalidade – freqüente entre povos, países, estados e cidades – também aqui se faz presente. 

A rodovia é ainda melhor que as anteriores. As longas retas e a planura lembram as rutas da Patagônia. Cactos e caatinga. Passamos por diversas patrulhas rodoviárias. Numa delas, somos parados por policiais simpáticos. Depois de conferir os documentos, puxam prosa, oferecem fatias de melancia, nos aconselham a buscar a sombra da árvore onde estão aquartelados. Sem maiores sustos, vencemos o tal trecho perigoso. 

Petrolina tem ares de metrópole: grande, com ruas e avenidas largas e movimentadas, muitos prédios. Sempre que chego numa cidade marítima ou fluvial, o instinto me leva à beira da água. Logo encontro a avenida que margeia o lendário São Francisco. Do outro lado do rio, ligada por ponte de concreto, Juazeiro. Barcos cruzam o rio de um lado para outro, transportando passageiros e carga. 

A jusante da ponte, uma passarela estreita leva a um barco típico, ancorado à margem por grossos cabos. O letreiro, pintado no costado, confirma que estamos no lugar certo: Bar e Restaurante. O dono do barco e do restaurante, que todos chamam de Gaúcho, de conversa fácil e frouxa, nos recebe sorridente. Descobrimos que é catarinense, de São Miguel do Oeste. No Nordeste, quem é do Sul é gaúcho, e ponto final. Sujeito aventureiro, enveredou pelos garimpos da Amazônia, foi mascate, acabou ribeirinho. Casado com uma índia, garante que aqui é melhor que lá, pretende se findar na beira do rio. Tem comida sim, posta de pintado, fresquinho, de ontem, mais arroz, macaxeira e salada. Não tem chimarrão, erva aqui é coisa rara, mas tem cerveja gelada.

Por tudo que tinha lido e visto na TV, imaginava Petrolina e Juazeiro como destinos turísticos consolidados, com atrações diversas e típicas. Ledo engano. Há vários hotéis, mas os serviços estão direcionados para atender gente de negócios. Os atrativos turísticos são poucos e, para encontrá-los, é preciso garimpar e ter imaginação. Incrível, mas verdade: não há uma única gaiola fazendo viagens entre as vilas ribeirinhas, nem oferecendo passeios turísticos pelo São Francisco. Nem o barco-restaurante navega mais; faz anos, jaz imóvel; se soltar os cabos das margens, é capaz de naufragar. A conclusão é óbvia: o turismo do Nordeste é essencialmente litorâneo. Pelo interior dos sertões – além de quem tem interesses e negócios na região – só se aventuram curiosos e viajantes. 

Ao contrário de Pernambuco, as estradas da Bahia são ruins, mal conservadas. Interessante é que todas elas – tanto de um estado como de outro – são federais... Vez por outra, cruzamos pequenas vilas. Casebres coloridos pendurados no alto dos barrancos lembram cenas de filmes. Moradores locais espiam o movimento, debruçados nos beirais das janelas ou sentados em frente às portas. A vida aqui não tem pressa... À medida que retornamos para as grandes cidades, também aumenta o número de pedintes.Há muito, ando com vontade de comer carne de bode. Só domingo, justificavam os garçons. “Espeto corrido/Carne de bode”, convida o letreiro da churrascaria. Os donos são gaúchos. Os garçons desfilam com picanha, costela, alcatra, lingüiça... Espero pela carne de bode. Que não aparece. Reclamo, parei ali para comer carne de bode. O garçom traz espeto de carneiro, conheço o sabor da carne. Reclamo de novo. Aparece um dos donos com a explicação: carne de bode tem muito osso, dá prejuízo, foi substituída pelo espeto de carneiro. Parti frustrado, sem comer carne de bode. O sertão não é mais o mesmo... 

De volta ao litoral, e após rápida parada em Salvador, tomamos o rumo de Aracaju, passando pela Costa Verde. Na Costa do Sauípe, um susto: conhecer o empreendimento importa em cinqüenta reais, por pessoa; sem pagar, não se passa pela cancela. Para compensar, a recepcionista nos indica um restaurante surpreendente: Sombra da Mangueira, 6 km ao Sul do condomínio, numa estrada de barro. Recanto exclusivo de amigos e conhecidos: nenhuma placa dá pistas do restaurante ou do caminho. As mesas estão todas dispostas ao ar livre, os galhos da enorme mangueira fazem as vezes de telhado. O local é encantador, o serviço excelente, a comida divina!
As indicações dos guias de viagem para se chegar a Mangue Seco são confusas. É preciso deixar o carro num estacionamento de Pontal. Atravessamos o rio num barco alugado. Os encantos do vilarejo de Mangue Seco compensam os transtornos. Pousadas simples, agradáveis, com decks sobre as águas calmas do estuário. Bons serviços, comida farta e saborosa. Realmente este é um lugar especial, bonito demais! 

Aracaju está tomada de turistas. Os hotéis da orla estão lotados. Menos conhecida que as demais capitais da região, a cidade surpreende e encanta. Sem dúvida, a melhor orla do Nordeste. Avenidas largas, calçadas arborizadas, bons restaurantes, casas noturnas, parques, feiras de artesanato com barracas padronizadas. A valorização do setor e a preocupação com o turista ficam evidenciadas quando se passa em frente à Delegacia do Turista: prédio arrumado, carros novos, policiais educados e atenciosos. Exemplo para muita autoridade por este Brasil afora... 

Fernando de Noronha 

Este é um dos destinos de viagem míticos do Brasil. E realmente é encantador, com belezas naturais únicas! Amanhecer no mirante da baía dos Golfinhos. Mergulhos na praia do Sancho e na baía dos Porcos. Caminhadas pelas praias da Cacimba do Padre e da Conceição. 

Lembranças de viagem anterior ao arquipélago afloram e estabelecem comparativos, despertam reflexões. O mar – em janeiro – continua lindo, azul, transparente. Mas a natureza não ostenta a exuberância dos meses de abril/maio; a vegetação verde deu lugar a tons ocres, tostada pelo sol esturricante do verão. O número de turistas brasileiros e estrangeiros aumentou significativamente. Grupos de argentinos fazem fila para descer a escada de ferro que leva à baía do Sancho. Na praia, é igualmente fácil reconhecer dezenas de outros turistas desembarcados pela manhã de cruzeiros marítimos. O sentido de urgência e disputa por espaço é disfarçado e sutil, mas revela que os tempos de ócio despreocupado convivem com a ansiedade e outros males da vida moderna. 

Os contrastes tornam-se ainda mais evidentes quando se analisa os serviços aos turistas. Quatro ou cinco pousadas oferecem padrão da melhor qualidade (verdade que a preços salgados!). As demais, mesmo sendo familiares, poderiam muito bem apresentar um padrão mínimo de atendimento. O mesmo critério vale para os restaurantes; meia dúzia são bons, os demais sofríveis. O peixe servido numa barraquinha na praia da Cacimba do Padre é gostoso demais; mas o local seria interditado por qualquer serviço de vigilância sanitária de cidade com fiscalização eficiente. 

Apesar de ser um arquipélago, a cortesia própria dos homens do mar não faz parte do código dos administradores de Noronha. O porto de Noronha não oferece nenhuma facilidade para os navegadores visitantes. E havia muitos, a maioria de europeus. Não é permitido atracar no píer, nem buscar abrigo no interior dos muros de proteção.  Mesmo em caso de mau tempo, é proibido buscar outro fundeadouro, nas muitas enseadas do arquipélago. O abastecimento de água foi feito de bote, em bombonas. Incompatível com os valores cobrados pelas diárias do barco e tripulantes. Os cinco dias passados em Noronha custaram R$ 1.550. Só de taxas de permanência! Difícil entender a matemática (custo x benefício) elaborada pelas autoridades. 

Indiscutivelmente, há muito o que melhorar num dos mais lindos e encantadores destinos turísticos do Brasil.

Exemplos da Bahia 

Faz tempo, a Bahia é citada como bom exemplo na área do turismo. Agora também é referência em turismo náutico. E o mais importante – para chegar a este patamar de profissionalismo utilizou ferramentas que importam em pouco investimento público: bom senso, criatividade e planejamento. 

Contrastando com o porto de Fernando de Noronha, o Iate Clube de Salvador é exemplo de hospitalidade. A estrutura do iate clube também merece registro pela qualidade e originalidade. A construção está encravada num rochedo, os restaurantes e o trapiche de embarque debruçam-se sobre a baía. Bóias sinalizadoras demarcam uma área da baía transformada em piscina, com flutuadores para descanso dos banhistas. Simples e engenhoso. 

Mas não é só. Ao longo da orla, espalham-se dezenas de excelentes marinas. Todas apinhadas de embarcações. Na região da Ribeira, já em direção ao Recôncavo baiano, o domínio de escunas e saveiros é absoluto. Nas marinas próximas ao centro, centenas de lanchas e veleiros, muitos de bandeira estrangeira. 

Os segredos? Legislação compatível que permitiu conjugar desenvolvimento com preservação da natureza. Continuo me perguntando por que na Bahia se consegue viabilizar trapiches e marinas proibidos em outros estados? O outro ponto: além de boas parcerias com a iniciativa privada, as lideranças baianas souberam conjugar criatividade e planejamento. O Centro Náutico da Bahia (CENAB), em parceria com o Governo do Estado, ordenou os diversos roteiros náuticos do litoral baiano, de forma racional e inteligente, possibilitando aos navegadores se deslocarem de uma base para outra num período não superior a 6/8 horas de navegação. Em cada base, os navegadores encontram um mínimo de apoio: ancoradouro seguro, trapiches, água, combustível. Isso leva os navegadores a permanecerem na costa baiana por dias, semanas, meses. Em cada parada, encantos e contrastes... 

Morro de São Paulo transformou-se numa vila cosmopolita. O movimento no trapiche de concreto é intenso. Grandes catamarãs vindos de Salvador despejam levas de turistas em terra firme. O casario em torno da pracinha lembra Paraty e Búzios: hotéis, pousadas, restaurantes, lojas de artesanato, pubs, cafeterias. Agências de viagem e operadoras de turismo oferecem programas com versões em inglês e espanhol. Ouve-se italiano, inglês, francês, alemão; mas principalmente “portunhol”. Da pequena vila, descoberta e freqüentada por alternativos e navegadores, restaram lembranças e as praias, que continuam encantadoras. 

Navegar pela baía de Camamu é retornar no tempo. Na praia de Taipus, voltada para o oceano, há vários empreendimentos turísticos de grande porte. Aviões pousam e decolam em pistas particulares escondidas entre os coqueiros. Já o interior da baía de Camamu continua tão encantador e tranqüilo como há 300 anos. Num fim de uma tarde ensolarada ancoramos em frente à vila de Campinho, uma pequena comunidade de pescadores. Na orla da praia, algumas poucas casas e duas pousadas. Um trapiche simples oferece estrutura para atender velejadores. Ao nosso redor, uma dezena de barcos descansa em águas espelhadas. Um rancho de aspecto simples, quatro paus sustentando cobertura de palha, com duas mesas e bancos sem encosto, serve refeições: peixe frito, fresco e saboroso, acompanhado de arroz, feijão e salada. Praias de areias brancas, de beleza incrível e mar azul, com águas transparentes, convidam a passeios e mergulhos. Centenas de coqueiros oferecem seus frutos. Beber água de coco recém-colhido, sentado na areia da praia deserta, é uma experiência inesquecível... 

Cinco pequenas ilhas – Guarita, Santa Bárbara, Redonda, Siriba e Sueste – perdidas na imensidão do oceano. Talvez pelo desafio ao perigo – recifes, parcéis e chapeirões formam um labirinto de proteção, ameaçando naufragar mais uma embarcação –, talvez pelo isolamento – o arquipélago fica longe de tudo –, a verdade é que Abrolhos habita o imaginário de todo navegador que cruza a costa brasileira. Pois mesmo este local tão distante faz parte do roteiro náutico da Bahia. Contato, via rádio, com a Marinha e com o Ibama. Resposta gentil, prestativa, eficiente. Águas transparentes, corais coloridos, dezenas de peixes e tartarugas nadando em torno do barco são recompensa justa para os dias de navegação solitária. 

Rio maravilha 

O Rio de Janeiro também oferece bons exemplos de turismo náutico, concentrados em três pontos: Búzios, a cidade do Rio de Janeiro e a baía de Angra dos Reis. A vila de Búzios transformou-se numa cidade acolhedora e charmosa, com lojas de bom gosto e restaurantes sofisticados. É agradável passear pela Orla Bardot; de um lado, casario histórico alternando-se com construções modernas e de bom gosto; de outro, centenas de barcos, de todos os tipos, inclusive um navio de cruzeiro. Na Rua das Pedras, lojas sofisticadas e restaurantes com mesas ao ar livre, lembrando Paris e Buenos Aires. Como em Morro de São Paulo, grande parte dos empreendimentos turísticos hoje pertence a estrangeiros, principalmente argentinos. 

Chegar ao Rio de Janeiro de barco é uma experiência única. Ancorar à sombra do Morro da Urca, vendo no horizonte o Cristo Redentor, nos revela uma cidade diferente, oásis de calma e segurança. O Iate Clube do Rio de Janeiro merece registro pela estrutura, pelos serviços, pela cordialidade dispensada aos visitantes. A estrutura é imensa, completa, com restaurantes, chuveiros, lojas, biblioteca, sala de internet e dezenas de galpões para guarda de barcos e serviços de reparos de toda ordem. 

A baía de Angra dos Reis tem tantos recantos fantásticos que merece tempo longo de permanência no lugar. A boa estrutura de serviços turísticos e náuticos – no continente e nas ilhas – faz jus aos encantos da natureza. E há ainda os contrastes que permitem experiências diversas, como Saco do Céu e Paraty. 

O Saco do Céu, esconderijo só para iniciados, é um lugar mágico, único! De dia, águas espelhadas refletem os desenhos dos veleiros; ao fundo, o verde das montanhas tem pinceladas de amarelo e roxo; é tempo de floração de garapuvus e quaresmeiras. De noite, o mar se transforma num céu de estrelas piscando. Que mais pode querer um vivente? 

Já Paraty é um dos melhores destinos turísticos do Brasil, com combinação perfeita de encantamento, história, bons serviços, passeios diversos e preços honestos. 

Lições finais 

Sexta-feira, véspera de carnaval. Ainda estamos em Paraty. De tarde, a cidade começa a se agitar. Turistas lotam as ruas. Dezenas de barcos exibem-se sem nenhum respeito por quem está ancorado em lugar que se imaginava calmo e fora do tráfego. Aviões e h™™™elicópteros pousam e decolam do aeroporto próximo. No carnaval, parece que o Brasil inteiro despenca para o litoral. Para quem busca tranqüilidade e paz, é hora de partir, buscar outros portos... Nas férias e feriados, uma boa opção é escolher destinos turísticos alternativos, viajar rumo a novas experiências. 

Imagino-me de volta ao barco do Gaúcho, ancorado nas margens do rio São Francisco, em Petrolina. 

No fim da refeição – farta, gostosa e barata – ele oferece redes para descanso obrigatório na hora do sol forte. Por que não ficam mais, por que não pernoitam aqui? Tem rede; para quem não gosta, tem colchonete, é só espalhar pelo convés; a brisa da noite é fresca... 

Sem dúvida, o melhor do interior do Brasil é essa hospitalidade sincera!&


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