No lançamento da Turismo & Cia, assumimos o compromisso de publicar artigos com opiniões de pessoas capazes de ensaiar soluções e imaginar novos caminhos para a nossa atividade – uma revista para pensar o turismo e instigar a inteligência dos leitores.
Os artigos reunidos nesta segunda edição abordam temas diversos entre si, sempre a partir de pontos de vista privilegiados. No conjunto, entretanto, apontam soluções e propõem mudanças de paradigmas que se complementam, compondo um mosaico de idéias provocativas e estimulantes neste início de Século XXI que sugere a abertura de tantas oportunidades.
O filósofo italiano Domenico De Masi, autor do conceito do Ócio Criativo, discorre sobre o surgimento da Sociedade do Tempo Livre e as inúmeras oportunidades que sua consolidação trará para o setor turístico nos próximos anos, especialmente no que se refere à criação de novos empreendimentos e, conseqüentemente, novos postos de trabalho.
O senador Cristovam Buarque analisa a atual divisão do mundo moderno, no qual a Cortina de Ferro que separava países pela ideologia foi substituída por uma Cortina de Ouro que não separa países, e sim pessoas – 1 bilhão delas reunidas no Primeiro-Mundo-Internacional-dos-Ricos e os demais 5 bilhões ilhados no Arquipélago-Social-dos-Pobres. Neste contexto, o turismo é poderoso instrumento de inclusão social, na medida em que – diferente de outros setores da economia global, nos quais o avanço técnico tende a gerar desemprego – ao se desenvolver continua incorporando mão-de-obra.
Airton Pereira Nogueira Júnior, secretário nacional de políticas de turismo do MTur, traduz o conceito de Turismo Social, uma das prioridades do governo federal para o setor. Uma mudança de paradigma na atuação do setor público, que pode ser sintetizada da seguinte maneira: a substituição de uma visão de desenvolvimento do turismo por outra de turismo de desenvolvimento, com foco na pessoa, que sirva como instrumento de inclusão social.
O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, sintonizado com a Sociedade do Tempo Livre de Domenico De Masi, acredita que a arte de governar, atualmente, exige, mais que definir prioridades, antever as posteridades e decifrar os enigmas do futuro. E, ao apontar o turismo como uma das grandes mega-tendências do Século XXI, afirma que, mais importante do que organizar o trabalho, o governante bem-sucedido será aquele que melhor souber organizar o lazer, agindo no sentido de adequar modelos econômicos antigos aos novos tempos.
Emília Salvador Silva, presidente da Bahiatursa, fala sobre o novo momento do turismo na Bahia após a troca de administração do órgão provocada pelo afastamento do grupo político que governou o estado nos últimos 16 anos. Como o modelo de turismo adotado pela Bahia é referência para o Brasil, os olhos do país se voltam para a nova gestão.
Em tempos de apagão aéreo, Osterne Feitosa, secretário adjunto de Turismo do Ceará, analisa o conceito de Distância Turística como o conjunto de fatores que facilitam ou dificultam a realização de uma viagem, envolvendo tudo o que separa a vontade de visitar determinado lugar e o ato físico de chegar até ele para sua efetiva fruição. Na prática, quanto maior a Distância Turística, mais dificuldades o destino terá para se desenvolver...
Por fim, Werner Zotz escreve um artigo-reportagem, em seu estilo inconfundível e delicioso, que resultou de longa viagem realizada durante o verão pelo litoral brasileiro num veleiro. Ele conta, a partir de observações feitas in loco, como o visitante é recebido em alguns dos mais procurados destinos brasileiros, trazendo reflexões pertinentes para governantes, administradores públicos e empreendedores privados.
Boa leitura!