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Santa Catarina e o turismo do futuro

O ritmo das mudanças tecnológicas tem acelerado de tal modo as transformações no mundo do trabalho que já se prevê a existência, em 2020, de apenas 20% das profissões atuais. Na atualidade, antever as tendências do futuro e preparar sua comunidad

Luiz Henrique da Silveira - Governador do Estado de Santa Catarina

“Quem poderia imaginar que na Inglaterra, berço da revolução industrial, o PIB de serviços seria de 66% e o industrial de 32%, como é hoje? Quem anteviu essa realidade lucrou fabulosamente. Mas os trabalhadores ingleses também ganharam, pois o redirecionamento da economia lhes garantiu novos empregos. Quem poderia sonhar que uma empresa nova, sem fábricas, sem produzir nada tangível, sem investir em propaganda, se tornaria a marca mais valiosa do mundo? Pois aí está o Google para mostrar que o impossível só é impossível na medida em que o avaliamos de uma perspectiva atrasada, ultrapassada, defasada.”

Nos últimos dez anos, com ênfase nos últimos cinco, consolidei a convicção de que, ao contrário do que era regra até os anos 1980 – de que governar era definir prioridades –, hoje, e cada vez mais, a arte de governar exige antever as posteridades, perceber para onde caminha a humanidade, decifrar os enigmas do futuro.

O ritmo das mudanças tecnológicas é de tal maneira acelerado que, dizem os especialistas, em 2020 existirão apenas 20% das profissões atuais. Esse tipo de previsão deve servir de bússola não só para os jovens que virão a ocupar esses postos, mas também, ou talvez principalmente, para os governantes, que têm o dever de criar as condições para que esses postos existam e possam ser preenchidos pela nova geração de empreendedores.

Quem poderia imaginar que na Inglaterra, berço da revolução industrial, o PIB de serviços seria de 66% e o PIB industrial de 32%, como ocorre hoje? Quem anteviu essa realidade lucrou fabulosamente. Mas quem também saiu ganhando foram os trabalhadores ingleses, pois o redirecionamento da sua economia lhes garantiu novos empregos no momento em que as desvantagens comparativas de seu país expulsavam indústrias para a Irlanda, Escócia e outros países.

Quem poderia sonhar que uma empresa com 10 anos de vida, sem fábricas, sem produzir nada tangível, sem investir em propaganda, se tornaria a marca mais valiosa do planeta? Pois aí está o Google para provar que o impossível acontece, ou melhor, para demonstrar que, muitas vezes, o impossível só é impossível na medida em que o avaliamos de uma perspectiva atrasada, ultrapassada, defasada.
Os exemplos citados são de duas mega-tendências que se desenvolvem no mundo de hoje. Mas não são as únicas. Está evidente, para qualquer um, que um dos filões mais promissores para os investidores é o meio ambiente. Graças às previsões cada vez mais catastróficas, a demanda por soluções e ações nessa área é gigantesca.

O turismo como tendência para o futuro

Outra dessas mega-tendências é o turismo. E é por considerá-lo uma das mais fortes tendências para o futuro que não me canso de repetir: se o século XX foi daqueles que melhor souberam organizar o trabalho, o XXI será daqueles que melhor souberem organizar o lazer. 

São muitos os exemplos de cidades e países que, ao antever problemas com os seus modelos antigos, agiram para adequar-se aos novos tempos. Há o paradigma de Chicago: priorizar o processo criativo; buscar a qualidade; importar cérebros; ser um pólo cultural. Há o exemplo de Bilbao, com investimentos focados: rodoviária, aeroporto, centro de eventos, centro de convenções, Gughenheim, Alhondiga. Há o modelo de Honfleur, na França, com suas mais de cem galerias de arte. Há a fórmula de Ravello, na Itália, com seu inigualável Festival de Cultura. 

Todos esses lugares agiram assim porque sabem que, com o crescimento da expectativa de vida, as pessoas terão uma parcela maior de tempo disponível para viajar e se divertir, fazendo da indústria do lazer uma das mais efetivas alternativas de geração de emprego e renda. Isto vai proporcionar maiores salários e elevar o padrão cultural daqueles que trabalham nessa área, o que é ainda melhor. 

Em Santa Catarina, há centenas de ações visando reforçar a vocação do Estado para a recepção de turistas do Brasil e do mundo inteiro. A de maior maturação é a Escola do Teatro Bolshoi, única filial do famoso Ballet Bolshoi fora da Rússia. A de maior investimento é a implantação, em Florianópolis, do Sapiens Park, grande complexo que conjuga turismo, diversão, educação, cultural e ciências: é composto por parques temáticos de experiência; pólo hoteleiro, gastronômico e cultural; centros universitários, hospitais e laboratórios de pesquisas tecnológicas. 

Destaco, ainda, a instalação, em diferentes cidades catarinenses, de filiais da Escola Superior de Gastronomia e Hotelaria, da Suíça; da Escola do Teatro Mazowze, da Polônia; do Conservatório Tchaikowski, da Rússia; de museus franceses e espanhóis; da École Nationale Supériere des Mines, de Saint-Étienne; do Studium 3 (Universidade La Sapienza), de Roma; e do Netel (Laboratório de Tecnologia de Energia), de Pitssburgh. 

É assim, pensando grande, com a grandeza que Santa Catarina nos inspira, que estamos criando as condições para que as futuras gerações tenham oportunidade de bem empregar as suas potencialidades e seu espírito empreendedor. &


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